sexta-feira, 26 de junho de 2009

O caminho da "Ficha"


Minha tia está com cancer.

Nunca tivemos problemas de cancer na família. Talvez seja por isso que até agora a ficha não caiu. Quer dizer... a ficha está quase lá sabe, está no caminho, caindo lentamente... pelo menos da beirada ela já se foi...

Minha semana é totalmente agitada. Meus pais trabalham num ritmo alucinado e eu segui o baile. Moro em Porto Alegre e minha família se resume a eu, meu pai, minha mãe, minha tia, meu tio e minha prima, já que o resto da familia mora tudo no Uruguay.

Ao saber dessa notícia fiquei desolada e com a sensação de que "isso não é nada", como se fosse uma gripe, um resfriado... aquelas moléstias em que tomamos apenas um analgésico, anti-térmico, vai dormir e no outro dia segue em frente, como se nada tivesse acontecido.

A diferença entre eu e minha prima é de 9 anos. Quando eu era pequena, minha tia morava comigo. Quando ela apareceu com um namorado (hoje, marido dela) eu me metia no meio dos dois, não deixava ele chegar perto, queria ela toda pra mim, não queria que ele aparecesse nos finais de semana... até que um dia, ele pediu ela em casamento, aconteceu a festa e eu fui a "daminha de honra". Ao voltar pra casa, depois de curtir a festa com a familia toda, primos, tios, avós, vô e etc.... chorei uma madrugada inteira, totalmente desolada. A tia que me levava pra passear, que dormia comigo, que me dava presentes, que me segurava na mão ao atravessar uma rua... não estava mais ali comigo.
E então, a ficha caiu.

Hoje me sinto assim... em vez de curtir a festa de casamento, estou naquele sentimento de luta... naquele misto de "não é nada, mas é".

Ela já tirou o tumor do seio, totalmente guerreira, tranquila e serena. Semana que vem começa a quimioterapia. Amanha vou leva-la em uma loja especializada em perucas, pois a médica disse que não é pra ela ficar vendo o cabelo cair... que ao sinal de uma simples queda, já é bom rapar.

Tomara que a ficha caia logo e que eu possa ter todo o tempo do mundo e disponibilidade pra cuidar dela, assim como ela me cuidou quando eu era pequena.

A gente nunca pensa que uma coisa dessas vai acontecer na familia, e quando acontece... eu, particularmente, fico sem reação... fico pensando que "nao é nada, vai passar".

Não sei porque certas doenças existem e também não sei porque certas doenças se instalam no organismo de pessoas que nunca fizeram nada a ninguém, exceto pra fazer o bem.

Se é mistério da vida ou não, se é coisa de Deus ou não, se é pra ter fé ou não, eu não sei. Só sei que tenho todo o direito do mundo de gritar escondida ,em algum lugar, que minha tia não merecia isso.

2 comentários:

Dessa disse...

Oi Re,

Minha mãe teve cancer de mama. Assim como sua tia não tinha tido nenhum caso na família antes dela.
Hoje- 4 anos depois- ela esta super bem.
O importante é saber que apesar de difícil, um diagnóstico de cancer não é atestado de óbito.
Desejo força pra você, sua tia e sua família.
Que ela deixe esse cancer no chinelo.
Se precisar de alguma coisa, estou aqui.
Beijão

Rê :) disse...

Obrigada pelo apoio!!!!
Vou levar sempre comigo a tua frase: O importante é saber que apesar de difícil, um diagnóstico de cancer não é atestado de óbito.

Beijão!