sábado, 19 de setembro de 2009

Como Nossos Pais



E daí que quando chega final de semana, a primeira coisa que faço quando estou em casa é acordar, tomar um leite com Nescau e procurar pelo jornal que o jornaleiro sempre arremesa as vezes na porta de casa e as vezes no portão. Fico lendo as noticias, o que vai ter no cinema, a parte pra mulher, resumo de novelas, filmes em vista, crônicas, notícias aleatórias do mundo em que se vive... e quando vejo, já é meio dia.

Daí que adoro dirigir. E adoro quando do nada me deparo em uma rua pela qual nunca havia passado, reduzo marcha, vou devagar, quero conhecer o ambiente, aonde vai dar, que caminho tomar e ir conhecendo o local novo na 2º marcha.

Adoro música ambiente estilo Rádio Continental, Antena 1, Band News... aquelas musiquinhas calmas, as vezes alegrinhas, cantores antigos, aquela melodia que entra e sai pelo ouvido como se fosse um coral da minha vida, uma lembrança da minha infância. Nostalgia pura.

Namorado me chama de hiper-link, porque sempre to ligando algum assunto no outro, dando um pause pra não dar stop, lembrando de um momento ali, outro acolá, uma experiência aqui, uma lembrança ali. Vou ligando os assuntos e puxando tantos outros, mas todos ligados na mesma sintonia, no mesmo estilo musical e de contexto.

Daí que me satisfaço em ir em algum Bourbon/supermercado qualquer, comprar aquelas colherinhas de plástico, senta a bunda na poltrona do carro e comer o que comprei dentro dele mesmo, vendo as pessoas passar, descarregar suas compras quilométricas, já vi discussões em pleno estacionamento, já vi declarações de amor e em vez de ter comigo pipocas... eu presencio tudo isso fazendo figuração e comendo o que tinha comprado.

Odeio lugar cheio, lotado, datas comemorativas em que as pessoas ficam alucinadas, malucas, frenéticas, neuroticas, naquele empurra empurra e naquela competição de ter a sacola maior do que a sacola do transeunte que passa ao teu lado. Gente alucinada, mórbida e aposto que chega em casa com aquela mega sacolada e cheia de carnês de pra pagar durante 5 meses, senta a bunda no sofá e se tiver algum neurônio que reste vai ficar pensando: "pra que tudo isso".

Daí que vcs devem estar pensando do porque estou escrevendo isso.

Quando eu era pequena, eu odiava quando meu pai me pedia pra falar um pouco mais baixo ou diminuir o som da TV porque ele estava lendo/degustando/saboreando seu jornal. Hoje, eu tenho surtos se alguém estiver perto de mim falando que nem um alucinado ou ouvindo a TV em volume máximo como se tivesse deficiência auditiva, enquanto estou lendo/degustando/saboreando MEU jornal.

Quando eu era adolescente, eu odiava quando estava atrasada pra chegar em algum shopping pra encontrar com as amigas e meu pai resolvia diminuir a marcha e apreciar a rua pela qual ele nunca havia passado. Me dava nos nervos. Eu ficava furiosa. E hoje, se alguém estiver do meu lado enquanto aprecio uma rua pela qual eu nunca havia passado eu apenas digo: "calma, vamos chegar ao destino mesmo".

Quando eu era "rebeldelescente", eu odiava escutar aquelas musicas de ambiente de clinica particular no carro do meu pai. Queria ouvir rock, eletrônica, música do momento. E hoje, eu entro em histeria quando alguém pede pra eu trocar a minha rádio "estilo- música- ambiente" por outra qualquer.

Quando eu era "jovemlescente", achava um tédio meu pai falar alguma coisa pra mim, porque eu sabia que ele ia ligar um assunto atrás do outro e não ia parar mais... sobre coisas da vida, decisões, família, futuro e etc... Hoje eu vivo fazendo isso, tanto que namorado me chama de hiper-link.

Quando eu era aborrescente, eu queria ir em Mc Donald's, buffet de porcarias, doces, chocolates e meu pai ia no super comigo e eu sempre acabava colocando escondidamente no carrinho tortas de bolo, chocolates, sanduiches prontos... Chegavamos no carro, eu ajeitava meu belo pedaço de torta ou meu sanduiche e ficava comendo dentro com carro com ele. Achava aquilo o máximo, pois dai a gente analisava as pessoas que passavam pra lá e pra cá com suas vidas e seus carrinhos de compras.

Eu odiava quando eu queria comprar coisas pelo shopping ou em lojas e meu pai não queria ir porque dava a desculpa que estava lotado, que não havia necessidade de comprar hoje se eu poderia comprar amanhã. Hoje, eu tenho pavor de lugares cheios, eu entro bem humorada e saio uma psicopata querendo matar tudo e a todos.

Tudo o que eu odiava/tolerava em meu pai, eu faço igual. E dou graças a Deus por isso, porque sou uma pessoa feliz e sempre lembro desses momentos com ele.

PS: antes que alguém me pergunte, meu pai está vivinho da silva, mas a convivência já não é mais a mesma, pois os filhos crescem, criam asas e voam.

26 comentários:

Olhos e pensamentos disse...

Caramba seu post encheu meus olhos de lágrimas, que delicia vc perceber isso e ainda tê lo por perto mesmo q não tanto como gostaria...parabéns

La Sorcière disse...

Que post lindo Rê!!! Adorei!!!
Consigo imaginar vc lendo jornal....música ambiente.....carro devagar, olhando a vizinhança....
Agora tente me imaginar: meu filho tá pulando e berrando na minha orelha, porque quer jogar videogame comigo, meu marido tá com a tv no último volume assistindo algum time de futebol que joga em algum lugar desconhecido e xinga o juiz o tempo todo....os cachorros estão latindo sem parar no canil, o telefone toca e é a minha irmã falando sem parar e o vizinho está escutando uma merda de um pagode odioso no último volume. Vamos trocar de lugar? Tipo: agora?????????

MULHER BÁSICA disse...

Interessante vc falar sobre o seu pai...o meu se estivesse vivo estaria fazendo 70 anos hj, faz um tempão q ele se foi, mas parece q ele ainda está aki me dando a mão...
Lindo!!!
Obrigada por acompanhar meu blog...já estou te seguindo tb...
Bjão

Gabriela Castro disse...

Temos mais dos nossos pais do que supomos, não é? Saudade daqui.
beijos

Desabafando disse...

Nossa....adorei sua história...tenho tanta coisa pra comentar...rsrsrs...
Acho que essa sua reflexão é sinal de maturidade. A gente cresce, reve as coisas, passa a entender melhor algumas pessoas ou não, tenta desacelerar, passa a valorizar coisas mais simples, curtir momentos mais calmos pra tentar entender esse mundo doido em que vivemos. Tb sou observadora, adoro ficar olhando as pessoas e imaginando suas histórias, dores, sofrimentos e alegrias. Não faço isso tanto quanto gostaria.
Aqui em SP não é em todo lugar que vc pode ficar tranquilamente parada dentro do carro, somente observando...rsrsrs...e se bobear, em estacionamento de shopping, é capaz de aparecer uma fila de gente querendo que vc vá embora logo pra dar sua vaga a outra pessoa....rsrsrs...Sobre a Antena 1 e rádios do gênero peguei raiva ultimamente. No meu último emprego só ligavam nela....aí era o dia todo, todo dia, as mesmas músicas, sabia a programa;cão de cor e ninguém deixava variar um pouquinho...rsrsrsrs...enjoei...rsrsrs...

Que bom que vc consegue curtir esses momentos só seus! Essa paz e tranquilidade! E quanto ao seu pai, te entendo perfeitamente, nunca tive uma convivência muito boa com o meu, que pena que eles não conseguem nos enxergar como merecemos não? Boa semana! Seu post me fez pensar! rsrsrsrs...

Gabriela Castro disse...

Ahh, estou te seguindo no twitter ;)

Alice Brasil disse...

Isso sem dúvida, se existe uma verdade universal é esta 'Como nossos pais'... ainda vivemos e crescemos como eles, só muda a época, a geração, mas, tudo ou quase tudo igual. Parabéns, pelo post... tô te seguindo e uma ótima semana.

Beijos!!!

Meg Macedo.

Carol Dornelles disse...

"cheia de carnês de pra pagar durante 5 meses"...bem mais.
E pior...elas não se contentam. Tudo tá pouco. Elas não sentam e se perguntam pq daquilo tudo, mas sim...deveria ter comprado tal coisa que gostei.

Acho que tudo na vida são fases. A gente passa, mas depois volta. E ai é a hora de ver como vc poderia ter curtido tanto antes quanto agora.

EU mesma sempre tive muita pressa, mas depois vi que não adiantava nada correr, pois a gente vai chegar mesmo...e chegar curtindo cada momento é muito melhor.

Bazar Brasil disse...

Não tem jeito...todo mundo é igual e conforme fui lendo uma história musical passou por mim...lembrei de uma música que agora está colada na minha cabeça... Vai um trechinho dela:

Pais e filhos - Legião Urbana

"É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há...

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais
Não entendem
Mas você não entende seus pais...

Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?"

Bjs
Clau
Uai é Uai...Uai!

Juliano disse...

Eu também me acho um espelho do meu pai, e sim eu odeio quando eu estou lendo qualquer coisa e ficam ouvindo tv alta, ou falando alto, isso me dá nos nervos e não consigo prestar a atenção no livro ou no jornal, só nas vozes que não param.

Música de ambiente de clinica..! eu ri muito!

Beijoooos Rê e ótima semana

pequena disse...

Ai amiga,adorei esse post, tão sutil e tão verdadeiro rsss

Eu tbm me vejo fazendo várias coisas iguais aos meus pais que antes eu não entendia rss

vjos flor e bom início de semana!

Dea アンドレア disse...

Ai Re, é tão gostosa essas lembranças, Ainda mais eu que estou longe do meu papi! Estou contando os dias pra encontrar minha família!
Adorava ir no Bourbon. Cheio de coisinhas gostosas... Já te falei que morei ai ,né?
Vc ri do descolorante? Ainda bem que não sou muito peluda kkkk...
bjokas

Pri disse...

vc como sempre com textos incríveis. adoro!! escreve um livro rê! eu compro! heiui! bjoo amada!

Luna Sanchez disse...

Rê,

É como no ditado : "A fruta não cai longe do pé".

Eu me vejo fazendo coisas que criticava no meu pai, e talvez criticasse porque já sabia/sentia que somos iguais.

Beijos, tenha uma semana linda.

ℓυηα

***MissUniversoPróprio*** disse...

É mesmo interessante o quanto a gente muda, e o quanto acaba ficando igual a tudo que a gente considerava péssimo quando não tinha ainda a maturidade suficiente pra entender.

Texto ótimo, como sempre! ;)

☆ KHC - Káh.Kau ☆ disse...

O meu já não está aqui e lendo tudo isso vejo o quanto sou parecida tbm...lindo isso.
Achei sua postagem mais linda e sensível...amei mesmo
bjoks

Leo Yk disse...

Rê xD
Ahh..fazia tempo que naum lia um post assim...uma boa leitura...do qual podemos tirar muitas lições.
Eu achei muito (tri) legal as fases da nossa vida...e se for pensar bem,quantos conflitos não são gerados de fase em fase...quantos problemas, qtos tombos.....eu percebi que com o tempo, muita coisa mudou, claro, mas as minhas prioridades quase nada...rs talvez, eu já tivesse cabeça de gente velha desde pequeno...sei lá...sempre me achei esquisito mesmo......rs

Desculpe o meu sumiço.....

bjaum Rê

Gisa Dias* disse...

Rê tem sorteio no meu bloguinho, passa lá!

bjokas querida*

Mariane disse...

Rê, queria ter o dom de escrever como você! Você usa muito bem as palavras e palavras que a gente conhece mas esquece de usar!!!

Adorei esse seu post, a parte do jornal foi a que mais gostei, imagino só você lendo seu jornal, buscando novidades, hahaha!!! Eu não tenho esse hábito o meu jornal é a internet, heheh!!!

Fico feliz de ver a pessoa em que você se tornou, parabéns, gosto muito do seu blog e de seus posts, você escreve com sinceridad e isso surpreende cada leitor!!!

Uma excelente semana!!!

BJ

Renata disse...

Oi Rê!!!
Adorei o post...realmente os nos passam e acabamos mais parecidos com nossos pais, fazendo coisas que antes detestavamos que eles fizessem..essa deve ser a evolução da especie, de "doidos adolescentes" para "malucos adultos".
beijos

Eu sou o GOOGLE disse...

Ai que post lindo Rê!! fez eu refletir...será que faço alguma destas coisas...vou pensar sobre isso...
e aproveite muito seu pai

vai por mim

bjão

Felicia disse...

Bah, que lindo este post. Lembrei de várias coisas !!!
Com meus pais a convivência diária não é mais a mesma, pois estou longe deles, criei asas. Mas te digo, já fui muito mais ausente. Hoje tento ao menos, se não for presencial, dar-lhe atenção por um telefonema frequente.
Digo muito ultimamente, naõ adianta chorar depois. Ando valorizando muito eles perto de mim !!
Muito legal teu post mesmo !!!
bjs

Erika! disse...

Adorei seu post!
Eu sou fascinada pelo meu pai e então me emocionei total!!

cronicasurbanas disse...

Rê, eu também me pego fazendo as mesmas coisas que minha mãe e meu pai faziam, e acho isso muito divertido. Eu até escrevi sobre isso outro dia, porque estou sempre me pegando com uma mania deles. Como diria minha avó, 'quem herda, não furta!'
bjk procê
Mônica

Nine disse...

É, não tem jeito amiga...
Um dia a gente sempre acaba se reconhecendo nos nossos velhos... E ainda bem, sabe. Eles são os "caras"... Eu me orgulho em me reconhecer neles!!!

Beijoooo

(menina, passei a noite lendo teus posts, tu escreve muitoooo, e eu me perco lendo tudinhooooo... hahaha, bom demais)

Yumi disse...

^^


Acho que no fim, todas temos muito mais dos nossos pais do que imaginamos né...



x]]~~