terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Gabriela

Minha bisavó, era índia. Não sei de que tribo pertencia. No século XIX, quando o Uruguay era conhecido como a "Suíça Sul-Americana", minha bisavó perambulava pela cidade, e encontrou meu bisavô, um italiano.Teve aquela quantidade infinita de filhos, incluindo meu avô, com aqueles belos olhos verdes. Um dia, simplesmente ela largou tudo o que tinha: filhos e o marido italiano. Partiu sem dizer "adeus". Nunca mais souberam nada a seu respeito. Partiu tal qual uma índia pelo meio do mato. Sem deixar trilhas ou pistas. 

Não sei se ela tinha um rumo definido, um objetivo, ou se ela somente seguiu seus instintos e saiu rumo ao nada, pra "ver no que dá". Pode ser até que ela não tenha se acostumado com a vida de homem branco, ainda mais um italiano. Nao sei de detalhes, ninguém sabe, mas gostaria muito de saber. 

As vezes me sinto uma índia urbana. Uma vontade imensa de ser a protagonista de "Diário de Motocicleta". Uma mistureba. As vezes acho que não preciso de nada pra viver bem, exceto uma boa comida, uma boa cama, e amigos sinceros. Em outras, eu quero mudar tudo o que vejo, quero iluminar minhas idéias e pensamentos, e traçar um objetivo. Há dias em que me sinto subjetiva, e em outros, não me reconheço pela objetividade. Não querer saber somente o que pode dar certo, mas ter experiências boas e ruins, com a finalidade de ser uma pessoa melhor. Eu divago e não chego a lugar algum, mas a minha bisavó Gabriela, poderia ajudar a me encontrar.

3 comentários:

Gisa Dias* disse...

Ai querida, que post lindo, que lindo desabafo de sentimentos urbanos loucos!
pode ter certeza que de onde ela estiver vai te guiar sim, vai te dar um norte, e tudi vai voltar a ficar colorido como as letrinhas dos post mega fofos que vc faz!

beijokas*

CONCERTO DE LEITURA & CIA disse...

Olha seu texto lembra a música de Chico Buarque. O pai era paulista, meu avô pernambucano... Também tenho o sangue das 3 raças. Sou bisneto de índio por parte de pai e tataraneto por parte de mãe. Minha bisavó era materna era portuguesa e meu bisavó descendente de escravos... e por aí vai... Muito boa sua crônica. Abraço do Gonçalves.

Bah disse...

Nossa, que legal. Sair assim do nada, ainda mais naquele tempo! Devia ser porque a liberdade falou mais alto... Mas é uma mulher de muita coragem, hein?

Kisu!