sexta-feira, 22 de março de 2013

Madame Boehmia

Ando numa fase de "menos é mais". Fuxicando um pouco sobre o assunto, descobri que isso é quase que um "estilo de vida", algo minimalista de ser. Aliás, faz tempo que ando nessa fase. Achei que era uma "fase", mas não. Acho que veio pra ficar. 

Ando colocando muita coisa fora. Muita mesmo. Doando tudo que, literalmente, não usei na estação passada. Assim como joguei fora todos os potes de vidro em conserva, que não tem nada dentro, e marido insistia em dizer que "um dia vamos precisar". Nunca precisamos, e joguei fora escondido, porque né, homem não nota.

Esse "um dia vamos precisar" é uma frase clássica de pessoas como nossos pais. A época do remendo da calça, tingir a calça velha, guardar cacos e colar com durepox. Não que eu ache lindo, atualmente, as coisas serem muito "recicláveis". Mas na época deles, tudo era mais difícil (pelos menos para os meus). Tudo deveria ser guardado porque posteriormente poderia ser utilizado. Hoje, em 90% das coisas, não é mais assim.

Digo que, essa minha fase veio para ficar porque na medida em que vou doando/jogando-fora, eu não compro. Não há uma peça, um objeto substituto. Comprei esses dias o livro "Madame Charme", muito mais útil que "A Parisiense". Nele, a autora conta do período em morou na França - ela, uma americana. Interessantíssimo a parte em que a dona da casa (ela ficou em uma casa de família) mostra à ela o seu quarto. Lindo, decorado, e com um roupeiro minúsculo. A partir daí, ela conta como é viver "a francesa". Me identifiquei muito com a Madame Boehmia- não que ela seja uma alcóolatra, mas é por causa da diferença com a Madame Charme- totalmente aristocrática. 

Desde então, ando percebendo esse meu lado clean-minimalista de ser. Já faz um tempinho que odeio shoppings (o livro não tem nada a ver com isso, aliás, nem fala em shoppings), não me agrada mais ir ver vitrines, e comprar um roupa que vai ficar lá socada no meu armário só porque a minha amiga achou linda e minha cara. Essa cena já cansou a minha beleza e meu cartão de crédito.

Me convida pra ir em uma livraria, tomar um café, um clericot, ir em um bistrô... enfim... ir a shopping, comprar, e comprar, decididamente, não tem mais nada a ver comigo. Até porque, o mesmo passeio de sempre, exclui as oportunidades de conhecer lugares novos, de conhecer o lugar que tu mora. E eu, fico perplexa com isso porque até uns 2 anos atrás, eu era rata de lojinhas, de miudezas, de roupas, e liquidação. Ao mesmo tempo perplexa e feliz. Porque tô muito bem assim, obrigada.


7 comentários:

Dea disse...

Que delícia isso!!
Eu conheço muita gente assim que vai guardando para um dia rs
Minha mãe, minha sogra ... kakaka
bjo

vidacuriosa disse...

Legal. É bem isso. Os homens querem guardar, e as mulheres jogam fora quando eles não estão olhando. Já guardei muita coisa porque iria precisar e o tempo me deu razão. Não precisei comprar muita coisa exatamente porque guardei. Jovens, principalmente, não guardam nada porque não têm ainda noção do quando deixariam de comprar se tivessem guardado. Mas, cada um tem um jeito. E o jeito melhor, claro é sempre o nosso. Ou não.

Débora disse...

Nossa, minha sogra tem coisa guardada do casamento ainda e nem casada ela é mais!!! Eu já gosto de usar tudo, logo que compro. Outra coisa que tenho me proposto à fazer é usar tudo qto é cosmético que fica guardado no guarda roupa, de preferencia, até o final, antes de começar à usar outro e comprar mais, pra não ficar juntando coisa!
A mesma coisa com roupa, sapato... depois a gente morre e fica tudo aí, né? rs

Rebeca Cavalcante-Wilkerson disse...

Renata, eu estou contigo nessa "fase". Pra falar a verdade ando pensando MUITO no estilo de vida que eu tinha qnd morava em Fortaleza.
Lá eu TINHA que me vestir bem, TINHA q comprar roupas na loja X, TINHA, TINHA TINHA... tudo pra poder me sentir bem, como se eu fizesse parte daquilo tudo.
Antes de me mudar pra cá comecei a entender que preferia viajar do que usar Arezzo, Colcci e essas bobagens.
Aí, viajei, abri minha mente, compreendi quem eu realmente sou e o q realmente é importante pra mim.

Uma amiga compra tanto Arezzo que já ganhou produtos de graça, foi a cliente que mais comprou lá em 2011 e é tratada como rainha quando chega na loja. Mas nunca vai pra lugar nenhum. Eu tentei explicar pra ela que 10 pares de sapato (que ela quase não usa) é quase o preço de uma viagem que ela NUNCA vai esquecer... Mas o que é importante pra mim pode não ser pra outras pessoas e isso já é outra conversa.

Só quero dizer que entendo vc e que nós valemos muito mais que as coisas que temos. Não há nada elhor que investir numa conversa de qualidade, num momento legal com um amigo, um passeio com o Caco e por aí vai...
:)

Beijo!
(To com preguiça de reler o comentário antes de publicá-lo... perdoe os erros de ortografia!)

Rebeca
xoxo

Bah disse...

Eu era assim, consumista e não sabia porquê... a gente compra pq acha bonito mas na verdade não vê realmente uma utilidade... vamos guardando pra um dia usarmos em alguma ocasião especial que nunca chega.

Kisu!

Allan Robert P. J. disse...

Acho que também é um processo de seleção: o que realmente é importante, guardamos. Isso acaba tendo um efeito muito positivo sobre todo o resto. Há anos vivo nessa fase, e também estou feliz assim.

:)

Evelyn Oliveira disse...


Um ótimo final de semana pra ti, e mtos chocolates nessa Páscoa pq né... Nós merecemos!

Abraço.
Evelyn Oliveira

cupcakerock.blogspot.com
@evelyncmo